Socorram-me em Marrocos
Companhia das Letras | São Paulo, Brasil | 2014

(PT) Uma seleção de 12 palíndromos selecionados e ilustrados por Andrés Sandoval. Este livro apresenta 32 ilustrações feitas de lápis dermatográfico e aquarela. Impresso em 4 x 4 pantone cores, encadernação singer, 46 páginas, 15,5 x 22,5 (H) cm, capa luva. Texto de Gregorio Duvivier, Marina Wisnik, Sofia Mariutti, Chico Mattoso, Paulo Werneck e Laerte.

 

Entrevista para a Picturebook Makers:

 

A proposta deste projeto é ilustrar palíndromos -- lembrando que palíndromos são aquelas pequenas sentenças que podem ser lidas de trás pra frente. Quando me aproximei do assunto percebi que estava rodeado de geometrias, formas puras e dobraduras e também pairava uma certa ideia de que talvez o melhor livro seria feito apenas de letras.

 

Depois de muito desenhar e até abandonar o projeto, retomei com uma decisão forte de deixar de lado essas imagens espelhadas e pesquisas tipográficas para abrir espaço a interpretações mais abertas e cômicas. O projeto virou uma aposta, um esforço de afirmar a ilustração.

 

Trabalhei com minha linguagem mais simples e familiar para pensar meu ponto vista sobre aquelas sentenças. O único espelho foi a relação entre texto e imagem: um diz uma coisa, a outra responde e vice-versa, e assim achar o melhor ângulo para observar esses pequenos cristais.

 

Aos poucos fui descobrindo figuras como o nado sincronizado, o espelho de Alice, a Medusa e as estalactites. Fiquei cada vez mais seduzido pela natural excentricidade dos palíndromos, há um certo “mistério do encontro” neles, depois que as palavras se unem, ninguém mais quer separá-las. É bonito vê-las juntas.

 

Aqui algumas traduções: “Ser cor e ser ocres”, “Lá vou eu em meu eu oval”, “Rir, o breve verbo rir”, “Ele parece tecer a pele” e “Socorram-me em Marrocos”, que virou o título do livro e é um trecho de um dos mais famosos palíndromos do português brasileiro.

 

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(EN) A selection of 12 Brazilian Portuguese palindrome sentences selected and illustrated by Andrés Sandoval. This book contains 32 illustrations made with dermatographic pencil and watercolor. Printed in 4 x 4 pantone colors, singer binding, 46 pages, 15,5 x 22,5 (H) cm, book sleeve. Texts by Gregorio Duvivier, Marina Wisnik, Sofia Mariutti, Chico Mattoso, Paulo Werneck and Laerte.

 

The proposal for this project was to illustrate palindromes (noting that palindromes are those small sentences that can be read backwards). When I approached the subject, I realised that I was surrounded by geometries, pure forms and folds, and there was also an idea that perhaps the best book would be made only with letters.

 

After drawing a lot and even abandoning the project, I got back into it with a strong decision of leaving aside those mirrored images and typographical studies to make room for more open and humorous interpretations. The project turned into a dare – an effort to assert the illustrations.

 

I worked with a simpler and more familiar language to reflect my point of view about the sentences. The only mirror was the relation between text and image: one says one thing, the other one answers, and vice versa – and thereby finding the best angle to observe these small crystals.

 

Gradually, I discovered figures such as synchronised swimming, Alice’s mirror, Medusa, and stalactites. I became increasingly seduced by the natural eccentricity of palindromes. There is a certain ‘mystery of discovery’ in them; once the words come together, nobody wants to tear them apart. It is nice to see them together.

 

Here are some palindromes with their translations: ‘Ser cor e ser ocres / Being colour and being ochre’, ‘Lá vou eu em meu eu oval / There I go, in my oval I’, ‘Rir, o breve verbo rir / To laugh, the short verb to laugh’, ‘Ele parece tecer a pele / He seems to weave the skin’, and ‘Socorram-me em Marrocos / Help me in Morocco‘, which became the title of the book, and is an excerpt from one of the most famous palindromes in Brazilian Portuguese.