Desenho Livre
Free Drawing | Companhia das Letras | São Paulo, Brasil | 2016

Feito com lápis dermatográfico preto e papel branco, um personagem-lápis convida o leitor a refletir sobre o desenho, a linha e a cor. 80 pags. Na galeria de imagens, fotos do lançamento no ateliê Libélula.

 

"Desenho Livre" é a primeira história gráfica de Andrés Sandoval. São pequenas narrativas visuais que compõem um passeio por lugares em branco e marcas de tinta. Um garoto com óculos de mergulho e chapéu de ponta de lápis percorre as páginas apresentando inventários de substâncias, objetos e plantas que fazem pensar em desenho e cor.

 

O livro é uma provocação ao leitor, lembra uma cartilha de colorir mas não pretende condicionar o leitor à participação. Neste cenário de papel dobrado e encadernado - o livro - o menino-lápis explora as páginas usando o corpo para desenhar. Dobrar, equilibrar, quebrar, puxar, assoprar são algumas de suas ações, todas são desenho.

 

Pra começar, Andrés Sandoval nos conduz a rever as cores: o azul virá da Capela Scrovegni, o preto de um pedaço de asfalto, o verde dos campos de futebol, o branco dos ossos, o vermelho do sangue, o amarelo do ouro, o laranja dos telhados de cerâmica, o violeta dos hematomas. Dessas situações ele imaginou extrair substâncias apresentadas em manchas numeradas.

 

Numa das narrativas, as mãos do menino aparecem manchadas e definidas por campos de cor numerados. Este quebra-cabeça de cores em códigos, ao longo da narrativa, se transformam numa grande silhueta de pincelada. Mais adiante o menino-lápis agarra a pincelada e, num gesto de sumô, lança a pincelada para a outra página do livro. Dali pra frente, as cores se espalham sem números.

 

O passeio continua, o garoto encontra uma estufa de plantas das quais se produzem pigmentos. O persongem nos oferece o Índigo do Japão, o Amarelo do Camboja, o Açafrão do Irã, o vermelho-brasa do pau-Brasil. Estas plantas, representadas em silhuetas pretas, põem nossa memória em ação, imaginamos cores enquanto passeamos por um jardim preto e branco.

 

Finalmente o garoto entra numa xícara de líquido preto, a tinta transborda e escorre para o meio do livro, o próprio garoto se tinge, o líquido passa pra outra página, tudo fica preto, desaparece a sutil perspectiva das ilustrações, ficamos a observar a própria superfície preta do papel.

 

(EN) Using black dermatographic pencil on white paper, a pencil-character invites the reader to reflect on drawing, lines and color. 80 pgs.